terça-feira, 11 de novembro de 2008

FICO PENSANDO

Escrevi um texto que depois perdi. Pois bem, aí vou eu de novo. Fico pensando nisto de ser inédito até hoje, aos 41 anos. Escrevo há mais de 20. Primeiro coisas sem importância, confissões, exercícios de escrever. Ao longo dos anos fui relendo tudo, e rasgando e jogando no lixo tudo o que não gostava. Falando nisto, de tempos em tempos rasgo coisas, e já faz algum tempo que não limpo minhas gavetas. Poesia, então, é uma coisa incomprensível. Ou o poema me vem pronto, ou quase pronto, ou senão fica anos na geladeira. Escrevo muitos, depois vou rasgando, cortando etc. Me lembro de um poema que era grande, mas acabou se reduzindo a dois versos: "Construtor de mim / em ruínas me faço". Mas porque insisto em escrever, se isto não me dá dinheiro para sobreviver? Por que fico batendo nesta mesma tecla, dizendo que sou um ótimo escritor, mas continuo inédito? Não gosto deste papel de vítima, por isso resolvi publicar minhas coisas, na internet e em livros. Claro que vou pagar a edição de meus livros, pois é dificílimo conseguir editora que publique. Poesia, então, é quase impossível. Por que insisto (repito), numa coisa que não me dá nenhuma segurança? Clarice Lispector, certa vez, numa entrevista em que o repórter lhe perguntou porque ela escrevia, respondeu: "Por que o senhor toma água?". Esta talvez seja a melhor forma de dizer que a literatura é essencial ao escritor, é seu ar, sua água, sua comida. Pra mim, não foi sempre assim, demorou, mas hoje posso falar que escrever me insere no mundo e sustenta minha vida. Cansei de vegetar, não viver pleno, cansei de ser inédito, quero me inscrever num destino mais vasto.

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