sexta-feira, 21 de novembro de 2008
PARA OS DIAS QUE VIRÃO
Hoje já é sábado. Amanhã será domingo. Constatar o óbvio. Emile Cioran: "A única função do amor é acabar com o tédio de nossas tardes dominicais." Hoje faz chuva aqui em Campinas. Tentei ler e escrever, mas não consegui. Passei o dia vagueando, feito onda de mar. Acho tão difícil viver. Mas tenho que fazer coisas, produzir, tenho compromissos, prazos. Meu deus! Que coisa mais tediosa isso de sempre haver um depois. Tomo remédios para acordar, para dormir, e mesmo assim me bate o tédio. Acho que deviam inventar logo algo superpotente, uma coisa assim feito uma pílula da cintilância (isso é coisa de Hilda), que a gente tomava e ia ficar saltitando o dia todo como uma criança implume. Acontece que se houvesse uma pílula dessas eu ia querer logo tomar umas vinte, para criar asas e sair logo voando. Hoje fiquei sozinho por algumas horas, meus pais saíram, ficamos eu e a cachorra Pitucha, ela dormitando no tapetinho que tenho ao lado da cama, eu fazendo o que nem sei. Como será o depois do depois? Estes dias que virão serão de chuva, aquela chuvinha fina e interminável, como no "Livro de desassossego", do Bernardo Soares - Fernando Pessoa? Quando eu morava em Floripa, nesta época do ano sempre chovia muito, e ficava aquela coisa cinzenta e molhada. Escrevi um poema lindo num dia assim, mas tenho preguiça para transcrever agora. E depois? E os amanhãs? Como serão? Talvez eu mergulhe no tédio justamente por isso, por saber que o amanhã me pertence como um presente embrulhado que pode ser coisa de troiano.
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